quarta-feira, 22 de setembro de 2010

AVALIAÇÃO TERCEIRO BIMESTRE

TURMAS: (   ) 2001      (  ) 2002        (  ) 2003




CIEP BRIZOLÃO 207 GILSON AMADO
AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA
PROFESSORA LILIAN SANTOS
ALUNO(A): _________________________________________

Leia o trecho reproduzido abaixo para responder às questões 01 a 03:

“Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o
morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero
humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um
papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma cousa soberba. E eu na escola, sentado, pernas
unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.
- Fui um bobo em vir, disse eu ao Raimundo.
- Não diga isso, murmurou ele.”
("Conto de escola". Machado de Assis In: Contos, São Paulo, Ática, 1992, 9ª ed., p. 25-30)

01- Indique o segmento que completa, de acordo com o texto, o enunciado formulado a seguir: No trecho transcrito, o narrador-personagem é um menino que relata:

a- ( ) as dificuldades que experimenta nas aulas de leitura e gramática.
b- ( ) o desespero por não possuir um papagaio de papel tão soberbo como aquele que via no céu.
c- ( ) os temores de ficar de castigo, sentado, os livros no joelho.
d- ( ) o arrependimento por não ter acompanhado Raimundo nas estripulias com os meninos do morro.
e- ( ) suas emoções em um dia de escola.

02 - Indique o segmento que completa, de acordo com o texto, o enunciado formulado a seguir: O menino se confessava "arrependido de ter vindo" porque:

a- ( ) os outros meninos vadios passariam a chamá-lo de bobo.
b- ( ) não gostava que os outros meninos empinassem seu papagaio de papel.
c- ( ) preferia ter ficado com os outros meninos, a brincar na rua.
d- ( ) tivera de cumprir a promessa de que viria, feita a Raimundo.
e- ( ) sentia dor nas pernas, ao ficar muito tempo sentado, com os livros nos joelhos.

03 - Indique a letra que não apresenta uma relação semântica correta entre os termos emparelhados:

a- ( ) menino-narrador - arrependimento de ter vindo
b- ( ) menino-narrador - preso de uma corda imensa
c- ( ) papagaio de papel - uma cousa soberba
d- ( ) papagaio de papel - bojava no ar
e- ( ) papagaio de papel - alto e largo


(FUVEST) Texto para as questões 04 a 07:

"Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: a diferença radical entre este livro e o Pentateuco."

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

04 - O autor afirma que:

a- ( ) vai começar suas memórias pela narração de seu nascimento.
b- ( ) vai adotar uma seqüência narrativa vulgar.
c- ( ) o que o levou a escrever suas memórias foram duas considerações sobre a vida e a morte.
d- ( ) vai começar suas memórias pela narração de sua morte.
e- ( ) vai adotar a mesma seqüência narrativa utilizada por Moisés.

05 - Definindo-se como um "defunto autor", o narrador:

a- ( ) pôde descrever sua própria morte.
b- ( ) escreveu suas memórias antes de morrer.
c- ( ) obteve em vida o reconhecimento de sua obra.
d- ( ) ressuscitou na sua obra após sua morte.
e- ( ) descreveu a morte após o nascimento.

06 - Segundo o narrador, Moisés, contou sua morte no:

a- ( ) promontório
b- ( ) intróito
c- ( ) meio do livro
d- ( ) começo da missa
e- ( ) fim do livro

07- O tom predominante no texto é de:

a- ( ) luto e tristeza
b- ( ) mágoa e hesitação
c- ( ) humor e ironia
d- ( ) surpresa e nostalgia
e- ( ) pessimismo e resignação


08 - (FUVEST) Indique a alternativa que se refere corretamente ao protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida:

a- ( ) Nele, como também em personagens menores, há o contínuo e divertido esforço de driblar o acaso das condições adversas e a avidez de gozar os intervalos da boa sorte.
b- ( ) Este herói de folhetim se dá a conhecer sobretudo nos diálogos, nos quais revela ao mesmo tempo a malícia aprendida nas ruas e o idealismo romântico que busca ocultar.
c- ( ) A personalidade assumida de sátiro é a máscara de seu fundo lírico, genuinamente puro, a ilustrar a tese da "bondade natural", adotada pelo autor.
d- ( ) Enquanto cínico, calcula friamente o carreirismo matrimonial; mas o sujeito moral sempre emerge, condenado o próprio cinismo ao inferno da culpa, do remorso e da expiação.
e- ( ) Ele é uma espécie de barro vital, ainda amorfo, a que o prazer e o medo vão mostrando os caminhos a seguir, até sua transformação final em símbolo sublimado.

09 - (UEL- PR) Uma característica, já presente em romances de José de Alencar, encontra em Machado de Assis o ponto mais alto da narrativa brasileira no século XIX. Trata-se:

a- ( ) do traço regionalista, que estende e procura completar a visão das terras do Brasil;
b- ( ) do aprofundamento da análise psicológica das personagens, notadamente das femininas;
c- ( ) da preocupação com o homem do sertão brasileiro, cuja vida é tema de romances e contos;
d- ( ) da vertente indigenista, preocupada em ampliar o conhecimento das coisas brasileiras;
e- ( ) da identificação das situações criadas entre as personagens, na trama narrativa..

As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. Estudara em Coimbra e Pádua. Aos trinta e quatro anos regressou ao Brasil, não podendo el- rei alcançar dele que ficasse em Coimbra, regendo a universidade, ou em Lisboa, expedindo os negócios da monarquia. - A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único; Itaguaí é o meu universo. Dito isto, meteu-se em Itaguaí, e entregou-se de corpo e alma ao estudo da ciência, alternando as curas com as leituras, e demonstrando os teoremas com cataplasmas. Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas, - únicas dignas da preocupação de um sábio, - D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, por- quanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte. D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos. A índole natural da ciência é a longanimidade; o nosso médico esperou três anos, depois quatro, depois cinco. Ao cabo desse tempo fez um estudo profundo da matéria, releu todos os escritores árabes e outros, que trouxera para Itaguaí, enviou consultas às universidades italianas e alemãs, e acabou por aconselhar à mulher um regime alimentício especial. A ilustre dama, nutrida exclusivamente com a bela carne de porco de Itaguaí, não atendeu às admoestações do esposo; e à sua resistência, - explicável, mas inqualificável, - devemos a total extinção da dinastia dos Bacamartes. Mas a ciência tem o inefável dom de curar todas as mágoas; o nosso médico mergulhou inteiramente no estudo e na prática da medicina. Foi então que um dos recantos desta lhe chamou especialmente a atenção, - o recanto psíquico, o exame da patologia cerebral. Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria, mal explorada, ou quase inexplorada. Simão Bacamarte compreendeu que a ciência lusitana, e particular- mente a brasileira, podia cobrir-se de "louros imarcescíveis", - expressão usada por ele mesmo, mas em um arroubo de intimidade doméstica; exteriormente era modesto, segundo convém aos sabedores.

Machado de Assis. O alienista São Paulo: Ática, 1982, pp. 9-10

10 - O alienista, publicado entre outubro de 1881 e março de 1882, é considerado um dos mais importantes contos de Machado de Assis. A partir da trajetória de Simão Bacamarte, protagonista da estória, Machado constrói um painel da sociedade brasileira de seu tempo, com seus valores, problemas e impasses. Tomando por base o fragmento selecionado, assinale a opção que melhor exprime a intenção do autor:

a- ( ) Valorização da ciência como caminho preferencial para a superação do atraso intelectual do país.
b- ( ) Ironia em relação aos critérios utilizados por Simão Bacamarte na escolha de D. Evarista como sua esposa e genitora de seus filhos.
c- ( ) Apoio aos postulados do pensamento positivista e da ideologia do progresso defendidos por Simão Bacamarte.
d- ( ) Crítica aos hábitos culturais da vila de Itaguaí, em especial à alimentação, fator que contribuía para a dificuldade de D. Evarista em engravidar.
e- ( ) Exaltação do papel do médico como referência de desenvolvimento de uma sociedade.

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