quinta-feira, 18 de novembro de 2010

REFORMA ORTOGRÁFICA - Copyright © 2008 Fundação CECIERJ

Introdução

“Até mesmo o acaso não é impenetrável, tendo as suas próprias regras”. Friedrich Novalis, 1772 – 1801
    Ninguém vai a uma formatura vestindo sunga ou biquíni; por outro lado, não se frequenta a praia usando meio fraque ou vestido longo. Embora essas regras não estejam escritas em lugar nenhum, quase ninguém as infringe, pelo menos no Brasil, a menos que tenha um bom motivo para isso.

     Trata-se de códigos convencionados em sociedade, que prescrevem os hábitos e os comportamentos de cada um desses membros. Tais regras são absolutamente arbitrárias, pois não há nada que justifique em si a proibição de usar uma sunga em uma formatura em uma noite quente e abafada, mas são inescapáveis na vida em sociedade. Outros exemplos são evidentes, ainda no campo do vestuário, como o fato de mulheres usarem saias, mas homens não. Por que não é o contrário?

     A vida em grupo tem como uma de suas características mais elementares a convenção de regras de comportamento, para as quais se criam justificativas que encobrem o caráter arbitrário dessa regra. Assim, pode-se dizer que vestido longo é “mais elegante” do que biquíni. Ou que homens de saia estão vestidos da forma “errada”. Mas isso tudo não passa de explicações que visam a legitimar o padrão e a regra vigente, a fim de manter o domínio dos grupos que ditam tais normas.

     Se você acha difícil perceber como essas formas de vestir são meras convenções, e não algo natural, basta pensar no caso das mulheres que vestem calças. Há algumas décadas, as regras sociais diziam que tal peça de roupa era exclusiva dos homens. Porém, com o passar dos anos, o sexo feminino conquistou o direito de vesti-la também.

     E o que isso tem a ver com um curso de Redação e Língua Portuguesa? Tudo! Quando uma pessoa condena a construção a gente vamos e diz que o “correto” seria “a gente vai”, ou “nós vamos”, está apenas reproduzindo uma convenção arbitrária. Não há nada que justifique por que uma forma está mais “certa” do que a outra, a não ser o fato de que se convencionou como padrão a forma de falar de algumas pessoas. Assim, quem não compartilha desses hábitos linguísticos acaba sendo pressionado a se adequar.

     Nosso objetivo neste capítulo, contudo, não é dizer que você deve escrever de qualquer forma, até porque isso contrariaria tudo o que discutimos até aqui. Nosso propósito é chamar a sua atenção para o fato de que há muitas “línguas portuguesas” dentro da Língua Portuguesa, e que você deve selecionar a forma de se expressar mais adequada a cada contexto. Retomando a metáfora da vestimenta, nosso objetivo não é lhe dizer se você deve usar biquíni ou vestido longo, mas sim aumentar o seu guarda-roupa, a fim de que você possa ter mais variedade de escolha na hora de se apresentar para os outros (BAGNO, 1999).

     Você certamente já traz consigo algumas formas de falar ou escrever, que aprendeu na escola, em casa, com os amigos etc. Em cada um desses ambientes, você se expressa de uma forma, pois os interlocutores e os contextos variam. Nosso objetivo, portanto, não é lhe ensinar as “regras da Língua Portuguesa”, mas sim as regras linguísticas mais especificamente usadas no ambiente acadêmico. Lembre-se, porém, de que o mais importante para qualquer evento de comunicação é a troca de informações entre as pessoas. Se, por exemplo, você sentir que em determinado contexto é preciso usar outros recursos que não os vistos nesta aula, procure a estratégia linguística que mais se adéqua à sua demanda. Caso, em determinada situação, seu objetivo de comunicação só possa ser atingido vestindo um fraque na praia, vá em frente, consciente das suas escolhas linguísticas e do que cada uma delas acarreta em termos de significação.

2. A reforma ortográfica: velhos e novos hábitos


     Nos últimos meses, temos assistido a diversas discussões acerca da mais recente reforma ortográfica da Língua Portuguesa. Tema controverso, a tentativa de unificação da ortografia usada nos países lusófonos (Brasil, Portugal, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) foi muito discutida por juristas, linguistas e sociólogos, mas ainda está sendo lentamente incorporada pela população brasileira. Até 2012, tanto o padrão antigo quanto o novo serão aceitos, mas é importante já ir se acostumando ao que vai se tornar obrigatório em pouco tempo.
 
     Um país lusófono é aquele que adota a Língua Portuguesa como um dos seus idiomas oficiais. Tais países (Brasil, Portugal, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) integram a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

      Porém, antes de apresentarmos as principais mudanças introduzidas na reforma que entrou em vigor em 2009 (mas que começou a ser projetada em 1990), é preciso esclarecer que a mudança é estritamente ortográfica, e não fonológica. Isso quer dizer que quaisquer alterações ocorridas se aplicam apenas à escrita, ficando a fala inalterada pelo acordo. Assim, desaparece o trema da palavra “linguiça", mas ainda é preciso pronunciar o U, dizendo “lingUiça". Da mesma forma, embora a palavra “ideia” não receba mais acento agudo, ela deve ser pronunciada com E aberto, tal qual em “pastéis”, que manteve o acento gráfico.


Se você deseja conhecer a fundo os casos mais particulares e as exceções (afinal a tentativa de simplificar a escrita não foi totalmente bem-sucedida, dada a quantidade de irregularidades no sistema adotado nos diferentes países lusófonos), sugerimos visitar o link do Ministério da cultura.Nele, além das novas regras, você pode encontrar um conversor ortográfico, que automaticamente faz no seu texto as alterações propostas no novo acordo.


     A seguir, vamos estudar as principais mudanças introduzidas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aprovado no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995. Porém, nosso objetivo não é discriminar aqui todas as alterações, e sim as mais produtivas e as que geram dúvidas mais recorrentes na hora de escrever.



2.1. O alfabeto


     Retornam ao nosso alfabeto as letras K, W e Y, que haviam sido retiradas na reforma ortográfica anterior (1971), embora a maioria dos dicionários brasileiros as tivessem conservado. Na prática, pouca coisa mudou a esse respeito, pois nunca deixamos de escrever as palavras estrangeiras, os nomes próprios e as abreviações (km, kg, W etc.) com essas letras. No entanto, na hora de fazer uma enumeração de itens, tinha-se por hábito saltar do item j) para o item l). Agora, deve-se escrever j), k), l) etc.

2.2. As regras de acentuação gráfica


No que diz respeito ao uso dos acentos gráficos, algumas mudanças são muito evidentes e devem ser atentamente observadas na hora da escrita:

2.2.1. Trema
O trema (o sinal de “dois pingos” sobre o U, que indicava sua pronúncia nos encontros QU e GU diante de E ou I) foi oficialmente abolido da Língua Portuguesa.
Exemplos:
pingüim > pinguim
agüentar > aguentar
cinqüenta > cinquenta
aqüífero > aquífero 


2.2.2. Acento circunflexo

O acento circunflexo era usado, entre muitos outros casos, na ocorrência dos hiatos OO e EE. No entanto, tais encontros vocálicos, em que há letras repetidas, não são mais acentuados.
Exemplos:
vôo > voo
vêem > veem
côo (verbo “coar”) > coo
lêem > leem 


2.2.3. Acento agudo

Entre as várias palavras que antes recebiam acento agudo, um número considerável perdeu essa marca gráfica. Entre as principais mudanças nas regras, podemos citar:
2.2.3.1 Ditongo aberto nas paroxítonas

Palavras paroxítonas (que têm a penúltima sílaba acentuada) cujo acento recaía em um ditongo aberto (ÉI ou ÓI) não são mais acentuadas.
Exemplos:
idéia > ideia
alcatéia > alcateia
asteróide > asteroide
heróico > heroico

Observação: Essa regra se aplica apenas às palavras paroxítonas. As oxítonas (que têm a última sílaba acentuada) e as monossílabas (que têm apenas uma sílaba) terminadas nesses ditongos (seguidos ou não de S) continuam recebendo o acento agudo.
Exemplos:
pastéis
herói
réis (antiga moeda)
dói (verbo “doer”)
2.2.3.2 Hiatos com I ou U (antecedidos de ditongo) em paroxítonas

Todas as palavras com hiatos formados por I ou U (seguidos ou não de S) antecedidos por ditongos (encontro de vogal e semivogal, na mesma sílaba) perderam o acento agudo na reforma ortográfica.
Exemplos:
bocaiúva > bocaiuva (bo – cai – u – va)
feiúra > feiura (fei – u – ra)
taoísmo > taoismo (tao – is – mo)

Observação 1: Note que essa regra só se aplica às palavras paroxítonas. As oxítonas que contenham hiato com I ou U antecedido por ditongo permanecem acentuadas.
Exemplos:
Piauí
tuiuiú

Observação 2: As palavras paroxítonas que têm hiato com I ou U (seguidos ou não de S) não antecedido por ditongo permanecem acentuadas
Exemplos:
alaúde (a – la – ú – de)
país (pa – ís)
baú (ba – ú)
juízes (ju – í – zes)
2.2.4. O acento diferencial

Antes da reforma ortográfica de 1971, nossa língua comportava muitos acentos diferenciais de timbre, que opunham palavras com E ou O aberto ou fechado.
Exemplos:
o jôgo (substantivo) x eu jogo (verbo)
o gêlo (substantivo) x eu gelo (verbo)

Já em 1971, quase todos esses acentos sumiram, mas haviam permanecido até a reforma mais recente, implantada em 2009, aqueles que opunham preposições e verbos ou preposições e nomes. Assim, se antes diferenciávamos “para” (preposição) de “pára” (verbo) por meio do acento, hoje isso não se faz mais.
Exemplos:
para (preposição) x pára (verbo) > para (preposição ou verbo)
pelo (preposição + artigo) x pêlo (substantivo) x pélo (verbo) > pelo (preposição + artigo, substantivo ou verbo)
polo (preposição + artigo) x pólo (substantivo) > polo (preposição + artigo ou substantivo)

Observação:
Os acentos diferenciais que opunham singular e plural (ele tem x eles têm), passado e presente (ele pôde x ele pode) e as formas “por” (preposição) e “pôr” (verbo) foram mantidos.


2.3. O hífen


O hífen é usado basicamente em dois contextos: para unir elementos de palavras compostas (que possuem mais de um radical) e para unir alguns prefixos ao radical. Para diferenciar um caso do outro, basta ver que as palavras compostas são quase sempre formadas de elementos independentes, como em “amor-perfeito” ou “segunda-feira”; já os prefixos não têm vida independente, devendo estar sempre atrelados ao radical, como em “anti-inflamatório” ou “reescrever”. Com base nisso, é importante perceber que as mudanças efetivas no uso do hífen introduzidas pela reforma dizem respeito majoritariamente aos casos em que este é usado para ligar um prefixo ao radical.

No entanto, diferente das regras de acentuação, as normas para o uso do hífen eram desconhecidas mesmo antes da reforma. Assim, nesta subseção, optamos por não contrapor as regras antigas e as novas, mas simplesmente apresentar como o hífen deve ser usado a partir da reforma ortográfica, até porque agora seu emprego é muito mais fácil e lógico.
2.3.1. Não se usa mais o hífen em compostos ligados por preposição ou conjunção
Exemplos:

ponto e vírgula
pé de moleque
mula sem cabeça

2.3.2. Usa-se sempre hífen para ligar um prefixo a um radical iniciado por H.


Exemplos:

super-homem
anti-horário
macro-história
2.3.3. Usa-se hífen para separar um prefixo que termina com a mesma letra que inicia o radical.

Exemplos:

anti-inflamatório
micro-ondas
super-rico
sub-balconista

Observação: Esta regra não se aplica com os prefixos re- e pre-.

Exemplos:

reescrever
preexistir
2.3.4. Não se usa hífen para separar um prefixo que termina com letra diferente da que inicia o radical

Exemplos:

autoescola
ultramoderno
socioindustrial
superinteressante

Observação 1: Caso o prefixo termine em vogal e o radical se inicie por R ou S, a regra se mantém, não havendo hífen. No entanto, deve-se duplicar o R ou S.

Exemplos:

minissaia
ultrassensível
autorretrato
antirracismo

Observação 2: Com os prefixos sub- e sob-, caso o radical se inicie em R, mantém-se o hífen, para evitar uma pronúncia incorreta.

Exemplos:

sub-reptício
ab-rogar



Muitas pessoas não sabem, mas esse acordo é apenas mais um na longa trajetória de tentativas de unificação da Língua Portuguesa. No entanto, como todo idioma é um órgão vivo, a língua vai mudando de acordo com as diferenças cronológicas, geográficas e sociais, o que impede qualquer possibilidade de homogeneidade total. De qualquer maneira, caso você fique curioso para saber mais sobre a história das reformas ortográficas por que a Língua Portuguesa passou, veja este link e observe a cronologia das diferentes reformas.


3. A concordância: harmonia entre os termos da oração


Entre as regras que compõem a norma padrão, uma das mais relevantes é a que prescreve a concordância, seja ela nominal (entre adjetivos e substantivos) ou verbal (entre verbos e sujeitos). Trata-se de regras bastante simples, como vemos a seguir:


Exemplos:

As relações estão se fortalecendo.
Encontrei as cartas anexas.

No primeiro caso, o verbo “estão” encontra-se flexionado na 3ª pessoa do plural, a fim de concordar com o sujeito “as relações”, também no plural. Da mesma forma, na segunda frase, o adjetivo “anexas” encontra-se no feminino e no plural, a fim de concordar com o substantivo “cartas”.

Tal análise parece demasiado simples porque as frases são bastante curtas, mas, conforme os períodos sintáticos aumentam, maiores se tornam as dificuldades na hora de estabelecer a concordância. Veja:

As relações dos ecologistas com uma grande empresa que desrespeitava as normas de preservação ambiental começa a melhorar, para o benefício da humanidade.

Embora essa frase “soe” bem à primeira vista, uma análise mais detalhada percebe que o verbo “começar” está flexionado incorretamente. Como seu sujeito é muito longo (“as relações dos ecologistas com uma grande empresa”), o autor da frase se confundiu na hora da concordância. Para você não ter dúvidas, lembre-se de que o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito, isto é, um substantivo ou pronome não antecedido por preposição. No caso do sujeito que estamos analisando, a única palavra que atende a essas exigências é “relações”, logo o verbo “começar” deveria estar flexionado no plural. Desse modo, a frase deveria ser reescrita assim:

As relações dos ecologistas com uma grande empresa que desrespeitava as normas de preservação ambiental começam a melhorar, para o benefício da humanidade.

Note ainda que o fato de o núcleo do sujeito estar muito distante do verbo aumenta as chances de erro, segundo a norma padrão, no que tange à concordância. Observe agora outro exemplo em que o comprimento da frase acarretou problemas em relação à concordância verbal:

O valor da tecnologia da informação e da internet residem em sua capacidade de armazenar, analisar e transmitir informações instantaneamente, seja para onde for, a um custo ínfimo.

Novamente, temos uma frase que, aos ouvidos, parece correta, mas ela também apresenta desvio de concordância verbal. Observe o verbo “residir” e o sujeito “o valor da tecnologia da informação e da internet”. Vimos acima que um verbo não concorda com todas as palavras que compõem o sujeito, apenas com o seu núcleo, que deve ser um vocábulo de valor substantivo não preposicionado. Nesse caso, o núcleo do sujeito que estamos analisando é “o valor”, e não “tecnologia da informação e internet”. Assim, o verbo “residir” deveria estar flexionado no singular, concordando em número com a palavra “valor”. Veja como a frase deveria ser reescrita, a fim de constar em um texto acadêmico, ou qualquer outro que deva se guiar pela norma padrão:

O valor da tecnologia da informação e da internet reside em sua capacidade de armazenar, analisar e transmitir informações instantaneamente, seja para onde for, a um custo ínfimo.

Fenômeno semelhante ocorre com a concordância nominal, que pode ser prejudicada caso os termos a concordarem entre si estejam muito afastados na sentença. Observe:

As cópias do documento, que estavam na mesa do senhor diretor para as devidas assinaturas, seguiram anexo junto à carta para o setor comercial.

O adjetivo “anexo” teria de concordar com o substantivo a que se refere. No entanto, o autor da frase deve ter ficado em dúvida: com que substantivo estabelecer a concordância: “cópias” ou “documento”? Nesse caso, é preciso pensar: quem estaria anexo à carta: o documento ou suas cópias? Como as cópias, e não o documento em si, seriam enviadas junto à carta, o mais adequado seria dizer “anexas”. Assim, a frase deveria assumir a seguinte conformação:

As cópias do documento, que estavam na mesa do senhor diretor para as devidas assinaturas, seguiram anexas junto à carta para o setor comercial.

Porém, nem sempre é tão fácil identificar quais termos devem concordar entre si em uma oração, havendo, inclusive, algumas exceções. Para ajudá-lo nessa tarefa, expomos a seguir os principais casos em que as pessoas sentem dificuldade na hora de realizar a concordância, seja ela nominal ou verbal.


O objetivo deste texto é expor-lhe os casos mais frequentes de dúvidas com que as pessoas se deparam na escrita acadêmica. Porém, se você estiver buscando uma regra muito específica, sugerimos uma consulta a
www.planalto.gov.br. Nesse link, você encontra o Manual de Redação da Presidência da República. Nele, há dicas de Redação e Língua Portuguesa, que foram formuladas para ajudar na formulação de documentos oficiais. Sabemos que não é esse o gênero textual que você está sendo chamado, mais imediatamente, a produzir, mas as dicas de redação (e, mais especificamente, de concordância) desse manual também valem para a escrita acadêmica.


Voz passiva analítica é um modelo de construção oracional em que empregamos: verbo “ser” + verbo principal flexionado no particípio (cantado, vendido, partido).Exemplos:

A porta foi trancada pelo chefe.
Os carros seriam perdidos pelos proprietários.
A dor era sentida pela mãe. 


3.1. Verbo “haver”
O verbo “haver” tem dois usos básicos no nosso idioma:
Como verbo auxiliar, indicando a noção de tempo em locuções verbais, caso em que a maioria das pessoas não tem dúvidas quanto à flexão.

Exemplos:

Eles haviam comido o doce.
Eu hei de vencer.
Como verbo principal, indicando a noção de existência. Nesse caso, é importante notar que o verbo “haver” é impessoal (não tem sujeito e não concorda em número ou pessoa) quando indica existência, embora o verbo “existir” seja sempre pessoal e, portanto, apresente concordância.

Exemplos:

Haverá muitos problemas no mês de maio.
Houve muitos problemas no mês de maio.
Existirão muitos problemas no mês de maio.
Existiram muitos problemas no mês de maio.

Observação:

A pessoalidade ou a impessoalidade se estendem ao verbo auxiliar, quando o verbo principal está no infinitivo.

Exemplos:

Deve haver muitos problemas no mês de maio.
Pode ter havido muitos problemas no mês de maio.
Devem existir muitos problemas no mês de maio.
Devem ter existido muitos problemas no mês de maio.
3.2. Verbo “fazer”
O verbo “fazer” é muito polissêmico no português do Brasil, sendo empregado como verbo principal (significando “produzir” ou “realizar”, em linhas gerais) ou verbo-suporte (em expressões cristalizadas na língua, como “fazer a barba”, “fazer charme” ou “fazer hora”). Em ambos os casos, o falante não costuma ter dúvidas, realizando adequadamente a concordância entre o sujeito e o verbo.

No entanto, a norma padrão determina que, quando esse verbo indica a passagem de um período de tempo, deve ser empregado sem concordância de número e pessoa, por tratar-se de verbo impessoal.

Exemplos:

Faz dez anos que moramos nesta rua.
Vai fazer dez anos que moramos nesta rua.
3.3. Verbo + partícula “– se”

Quando um verbo está acompanhado da partícula “-se”, tal como em “feriu-se”, “vende-se”, ou “necessita-se”, há três construções frasais possíveis, que seguem diferentes regras de concordância verbal. Veja:
Verbo + pronome reflexivo “-se”: caso a partícula “-se” tenha o significado de “a si mesmo(a)”, classifica-se como pronome reflexivo, e o verbo deve concordar com o sujeito explícito da oração.

Exemplos:

O homem barbeia-se pela manhã.
Os homens barbeiam-se pela manhã.
Maria penteia-se diante do espelho.
Maria e João penteiam-se diante do espelho.
Verbo + pronome apassivador “-se”: caso a partícula “-se” traga à oração um valor semântico de passividade, podendo ser reescrita na voz passiva analítica, trata-se de um pronome apassivador, e o verbo tem de concordar com o sujeito explícito na frase.

Exemplos:

Alugava-se apartamento. (= Apartamento era alugado.)

Alugavam-se apartamentos. (= Apartamentos eram alugados.)
Após o almoço, saboreia-se a sobremesa. (= Após o almoço, a sobremesa é saboreada.)
Após o almoço, saboreiam-se as sobremesas. (= Após o almoço, as sobremesas são saboreadas.)

Verbo + índice de indeterminação do sujeito “se”: quando a partícula “se” não indica reflexividade ou passividade, ela tem o papel de indeterminar o sujeito do verbo, sendo classificada como índice de indeterminação do sujeito. Nesse caso, como o sujeito é indeterminado, o verbo deve permanecer na 3ª pessoa do singular.


Exemplos:

Necessita-se de operário nesta fábrica.
Necessita-se de operários nesta fábrica.
Acredita-se em milagre.
Acredita-se em milagres.
3.4. Verbo “ser” + adjetivo

No que diz respeito à concordância nominal, vimos que os adjetivos se flexionam em gênero e número de acordo com os substantivos que acompanham. Porém, quando antecedido pelo verbo “ser”, o adjetivo pode ou não concordar com o substantivo, dependendo da estrutura da frase. Afinal, caso o substantivo esteja acompanhado por um artigo ou pronome, o adjetivo que se refere a ele deve ser flexionado em gênero e número, segundo as regras da concordância. Porém, caso o substantivo não esteja acompanhado de artigo ou pronome, o adjetivo deve permanecer no masculino singular.

Exemplos:

É proibida a entrada nesta sala.
É proibido entrada nesta sala.
A água gelada é deliciosa no verão.
Água gelada é delicioso no verão.



Nesta aula, adotamos uma concepção de adjetivo e substantivo que difere da tradicional, que conceituaria essas classes de palavra como “aquilo que dá qualidade” e “aquilo que dá nome”, respectivamente. Optamos por uma acepção mais moderna desses termos, segundo Câmara Jr. (1999), o qual afirma que um adjetivo é um nome ou pronome que acompanha perifericamente outro nome ou pronome (substantivo) de função nuclear. Assim, podemos ter pronomes adjetivos, pronomes substantivos, numerais adjetivos, numerais substantivos etc.



3.5. Adjetivo x Advérbio


Algo que dificulta a concordância nominal é o reconhecimento da classe morfológica (ou classe gramatical) a que determinada palavra na frase pertence, uma vez que os adjetivos devem concordar com os substantivos, mas os advérbios jamais se flexionam. O problema é que, às vezes, uma mesma palavra pode funcionar como adjetivo ou advérbio, dependendo da frase, o que determina a concordância nominal.

Exemplos:


Meus amigos estão bastante tristes.
Tenho bastantes amigos.

A palavra “bastante” costuma gerar dúvidas entre as pessoas, pois é uma das que podem funcionar tanto como advérbio quanto como pronome adjetivo. Porém, para saber se você deve flexionar ou não tal vocábulo, basta observar a que outra palavra ele está ligado. Caso “bastante” esteja vinculado a um adjetivo, um verbo ou um advérbio, desempenha o papel de advérbio, não sofrendo flexão. Por outro lado, se acompanha um substantivo, “bastante” atua como pronome adjetivo, devendo ser flexionado. Assim, em “bastante tristes”, “bastante” é um advérbio preso a um adjetivo; em “bastantes amigos”, trata-se de um pronome adjetivo ligado a um substantivo.

Para entender melhor como isso funciona, observe agora exemplos com a palavra “meio”, que, como muitas outras, segue essa mesma lógica.

Exemplos:

As ruas estavam meio escuras.
Não quero ouvir meias verdades.

Na primeira frase, como “meio” está vinculado a um adjetivo (“escuras”), funciona como advérbio, não podendo ser flexionado. Por outro lado, na segunda frase, “meio” está preso ao substantivo “verdades”, ganhando um valor de numeral adjetivo e podendo, portanto, ser flexionado.


4. A regência: entidades complementares



Chamamos de regência a relação de dependência entre um termo regente e um termo regido, sendo que este complementa aquele. Embora essa relação possa se dar de diversas formas, a mais comum é a que concatena verbos e nomes (termos regentes) e preposições (termos regidos). Assim, uma pessoa sempre gosta de alguma coisa, nunca com ou em alguma coisa. Da mesma forma, ninguém tem fé com, para ou de alguém, mas sim em alguém. Isso revela que há bastante estabilidade das relações de regência.


Porém, algumas palavras admitem mais de uma regência, podendo isso acarretar mudanças semânticas ou não, dependendo do contexto e da palavra analisada.

Exemplos:

Atendi o telefonema.
Atendi ao telefonema.

Nessas frases, o uso ou não da preposição a não acarreta incorreção gramatical ou variação de sentido, limitando-se a uma questão de estilo do autor. Por outro lado, às vezes um mau uso da regência pode gerar problemas de comunicação, dada a polissemia das palavras.

Exemplos:

Precisamos de relógios.
Precisamos relógios.

Na primeira frase, um grupo de pessoas afirma necessitar de relógios. Na segunda, por outro lado, as pessoas dizem que ajustam os relógios, dando-lhe mais precisão no que diz respeito à marcação do tempo. Essa diferença reside no uso da preposição, o que nos mostra a relevância de estudar aprofundadamente esse assunto.

O problema é que as relações regenciais variam de palavra para palavra, de uma forma arbitrária. Isso quer dizer que uma pessoa confia em outra, depende de outra e concorda com outra, pois cada nome ou pronome tem particularidades quanto à sua regência. Assim, o melhor a fazer, sempre que você tiver dúvidas, é consultar um dicionário especializado, como o Dicionário de Verbos e Regimes, de Francisco Fernandes (1971).


Caso você tenha uma necessidade mais imediata de consultar determinada regência, também vale a pena dar uma olhada nestes sites, em que você encontra muitas dicas boas, sobre as principais relações regenciais que costumam causar dúvidas nas pessoas:


Regência verbal:
http://intervox.nce.ufrj.br


Regência nominal:
http://intervox.nce.ufrj.br



Um fenômeno que merece atenção especial, o qual diz respeito à regência, é a crase. Trata-se da fusão de duas vogais idênticas (A + A), que, na escrita, marcamos pelo uso do acento grave (À). Esse fenômeno está intimamente relacionado à regência, seja ela verbal ou nominal, porque o primeiro A dessa fusão é uma preposição, regida por outro termo na frase. O segundo A, por sua vez, pode ser um artigo feminino ou um pronome (ou parte dele), de acordo com a frase.


Isso traz já algumas implicações que, na prática, vão ajudá-lo a saber quando usar ou não o acento grave. Afinal, jamais ocorrerá crase diante de uma palavra que não pode receber um artigo feminino.

Exemplos:

Conte a verdade a papai.
Pedi ajuda a João.
Vimos o filme a respeito da guerra.

Como uma palavra masculina não pode ser antecedida por artigo feminino, não ocorrem crases nesses casos. No entanto, ocorre crase se, diante da palavra masculina, estiver subentendido um substantivo feminino.

Exemplos:

Devolvi o produto à Ponto Frio. (= à empresa Ponto Frio)
Escrevi um conto à Machado de Assis (= à maneira de Machado de Assis)

Outras palavras que jamais podem ser antecedidas por uma crase são o artigo indefinido, o verbo, os pronomes de tratamento (à exceção de senhora, senhorita e dona), os pronomes pessoais e os pronomes demonstrativos, pois é impossível haver um artigo feminino diante desses vocábulos.

Entregue seu coração a uma mulher.
Trabalharei a partir de agosto.
Confio este segredo a você.
Apresente a mim os relatórios.
Obedeçam a ela prontamente.
Devolva o dinheiro a essa moça.

Note, porém, que os pronomes demonstrativos aquele, aquela e aquilo podem receber acento grave.

Exemplos:

Devolva o dinheiro àquela moça.
Recuso-me a obedecer àquilo.

Mas e diante das palavras femininas? Aparentemente, todas elas admitem o artigo feminino, porém nem sempre podem ser antecedidas por uma crase. O que fazer, então?
Para saber se uma palavra feminina é acentuada, costuma-se dizer que basta substituí-la por um vocábulo masculino de mesma classe gramatical. Se, após a substituição, a palavra “a” virar “o”, ou mantiver-se como “a”, não usamos acento grave. Porém, caso a palavra “a” seja substituída por “ao”, deve receber o acento grave.

Exemplos:

Os jovens queriam assistir à novela. (= Os jovens queriam assistir ao filme.)
Os jovens queriam ver a novela. (= Os jovens queriam ver o filme.)

Há, no entanto, casos em que a crase é facultativa: diante de pronomes possessivos femininos e de substantivos próprios femininos. Isso ocorre porque essas palavras podem ser acompanhadas ou não pelo artigo.

Exemplos:

Pediram as chaves a/à Maria. (= Pediram as chaves a/ao João.)
Pediram as chaves a/à minha tia. (= Pediram as chaves a/ao meu tio.)


5. A pontuação: marcando o ritmo da fala


Não se pode achar que a escrita é uma mera transcrição da fala. A expressão de pensamentos pela palavra audível ou visível dispõe de recursos distintos, que variam segundo o canal utilizado, conforme vimos na aula 1 deste curso. Assim, quem fala como se escreve acaba sendo tedioso, assim como quem escreve como se fala se torna confuso.

Se na fala temos o auxílio da entonação, da linguagem corporal e do contexto espaciotemporal em que nos encontramos, na escrita precisamos buscar outros recursos expressivos, como a pontuação. Isso faz com que sinais gráficos que indiquem intervalos sintáticos sejam de extrema importância, embora muitas pessoas tenham dificuldades para empregá-los.

O sinal de pontuação que gera mais dúvidas entre as pessoas é a vírgula, principalmente porque muitos usam um critério pouco objetivo para empregá-la: a necessidade de pausas para respirar. Como cada pessoa tem um ritmo de respiração diferente, a ideia de pontuar um texto a partir do tempo do pulmão é absolutamente falha.

É preciso perceber que a vírgula é um fenômeno sintático, ocorrendo em algumas construções bem definidas, a fim de delimitar determinados blocos da frase. Nesse sentido, é interessante perceber, por exemplo, que sujeito, verbo e complementos verbais são blocos que não devem ser separados por vírgulas, quando se sucedem de forma ininterrupta, a despeito da ordem.

Exemplos:

Os gatos devoram um rato.
Um rato é devorado pelos gatos.
Os gatos um rato devoram.
Um rato devoram os gatos.

No entanto, caso esses elementos estejam intercalados por um adjunto adverbial (circunstância de modo, tempo, lugar etc.), um vocativo (expressão que se direciona ao interlocutor, como um chamamento), ou por um aposto (explicação do que foi mencionado antes), tal termo deve ser separado por vírgulas.

Exemplos:

Os gatos, com uma avidez impressionante, devoram um rato.
Um rato, que mais parecia um esquilo, é devorado pelos gatos.
Os gatos, minha mãe, um rato devoram.
Um rato, animal nojento, devoram os gatos.

Além disso, caso o adjunto adverbial ou o vocativo estejam no início da frase, devem também ser separados por vírgula.

Exemplos:

Com uma avidez impressionante, os gatos devoram um rato.
Minha mãe, os gatos um rato devoram.

A vírgula também é empregada para marcar a supressão (elipse) de um verbo, o que costuma ocorrer para evitar a repetição desnecessária de palavras, conforme você viu na aula 3 deste curso.

Exemplos:

Os livros trazem saber; os doces, sabor. (omissão do verbo “trazer”)
Meus cadernos estão em casa; meus lápis, na bolsa.

Observação:

Note que, para efeitos de clareza, é interessante separar por ponto e vírgula as orações coordenadas que possuem já uma vírgula.

Exemplos:

Trabalho muito; não recebo, porém, dinheiro suficiente.
Comprei morangos, que têm casca vermelha; bananas, que apresentam uma cor amarelada; e abacates, cuja polpa é verde-clara.

A vírgula também deve ser usada em enumerações, entre orações coordenadas sindéticas e entre oração principal e suas subordinadas adverbiais.

Exemplos:

Vendem-se sapatos, bolsas e sandálias.
Vendem-se sapatos, mas apenas de couro.
Quando chega o verão, vendem-se sandálias rasteiras.

Outro fenômeno sobre a vírgula que não se pode deixar de comentar é o que ocorre com as orações adjetivas (introduzidas por uma palavra como “que” ou “o qual”, para introduzir informações acessórias sobre um substantivo). Quando uma oração adjetiva é separada por vírgula, ela expressa uma generalização; quando não há vírgula, trata-se de uma restrição. Isso acarreta uma sensível mudança semântica, que precisa ser considerada quando da escrita.

Exemplos:

O homem que é fraco trai.
O homem, que é fraco, trai.

Ambas as frases afirmam que o homem trai. Porém, a primeira diz que apenas o homem fraco trai, o que nos leva a pressupor que também há os fortes, os quais não cometeriam traições. Por outro lado, de acordo com a segunda frase, todos os homens são fracos e traem, pois a vírgula diante de uma oração adjetiva acarreta uma generalização. Preste bastante atenção a esse recurso gramatical na hora de produzir seus textos, a fim de não veicular acidentalmente informações indesejadas.


 


terça-feira, 9 de novembro de 2010

PROVA - SAERJ


A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro realizará nos próximos meses de novembro e dezembro a Avaliação Externa em Larga Escala - SAERJ. Esta avaliação será realizada em todas as unidades escolares da rede estadual que ofereçam Ensino Regular/EJA e abrangerá desde o 4º ano do Ensino Fundamental Regular até a 3ª série do Ensino Médio e fases equivalentes da Educação de Jovens e Adultos Presencial, além dos alunos do curso Normal. Também abrangerá os 45.755 alunos de 9º ano do município do Rio. Os testes avaliarão as competências e habilidades dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática. 







QUERIDOS ALUNOS VAMOS ESTUDAR PARA ENTRAR PARA O GRUPO DAQUELES QUE ATINGIRAM O OBJETIVO E GANHARAM O NOTEBOOK!

         


 



          

EXERCÍCIOS CONJUNÇÃO - PREPOSIÇÃO

Fazer o exercício das páginas 196 e 197 do livro Português Linguagens.

Exercícios sobre verbo

Fazer as páginas 156, 157 do livro Português Linguagens.

ENTREVISTA INTERESSANTE

Lições de literatura 
 
Cinco escritoras de gerações diferentes recomendam leituras que consideram marcantes "do ponto de vista feminino" 
 
“Livro de mulher” ou “para mulher” costuma ser sinônimo de má literatura. Pensa-se logo no gênero água-com-açúcar, nos livros para chorar, desses disponíveis aos montes em bancas de jornal. Alguns títulos de qualidade, porém, bem escritos, profundos e inventivos, agradam mais às mulheres do que aos homens, marcam as leitoras. Prova de que esse tipo de livro existe foi a resposta que a reportagem de VEJA recebeu das cinco escritoras que procurou pedindo recomendações de obras marcantes, do ponto de vista feminino. Representativas de gerações diferentes da literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles, Adélia Prado, Ivana Arruda Leite, Adriana Falcão e Leticia Wierzchowski apontaram suas preferências pessoais e justificaram suas escolhas. Apenas um livro recomendado pelas cinco autoras foi escrito por um homem.

LYGIA FAGUNDES TELLES
Tem 83 anos. Seu primeiro livro, Praia Viva, foi publicado em 1944. Tem obras editadas em nove países. É integrante da Academia Brasileira de Letras
• Livro recomendado: Dom Casmurro, de Machado de Assis
• Quando leu: “Esse livro me acompanhou em diversas fases da vida. Em cada leitura tive uma interpretação diferente. A primeira vez foi na juventude; a segunda, já casada; e a terceira, quando adaptei o livro para o cinema. Mudei de opinião sobre Capitu na maturidade.”
• Por que recomenda: “Acho Capitu uma personagem muito forte e interessante. O livro atinge as cavernas do ser humano. Capitu sintetiza as três definições da alma feminina: ela é indefinível, inacessível e incontrolável.”
• A história do livro: Romance psicológico sobre uma suposta traição, indecifrável para o leitor. O narrador Bentinho acredita que sua mulher, Capitu, o tenha traído. A obra tem duas partes: a primeira conta a adolescência de Bentinho, quando ele rompe a promessa feita à mãe de se tornar padre para casar-se com Capitu; e a segunda começa com a separação do casal.

ADRIANA FALCÃO
Tem 45 anos. É publicitária, roteirista e escritora. Escreveu A Máquina (Objetiva) e Mania de Explicação (Salamandra)
• Livro recomendado: Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector (Rocco).
• Quando leu: “Li com 20 anos e estava muito apaixonada. Como a personagem Lóri, achava que ia enlouquecer de tanto amor.”
• Por que recomenda: “Toda mulher passa por isso em algum momento da vida. Clarice nos ajuda a entender que essa dor de amor, que não passa, um dia passa.”
• A história do livro: Descreve a difícil viagem de Loreley para amar livremente, depois de várias experiências malsucedidas. Seu companheiro é Ulisses, um professor de filosofia que carrega no nome a alusão ao herói homérico que precisava ir cada vez mais longe para voltar para sua casa, na ilha de Ítaca.

ADÉLIA PRADO
Tem 70 anos e catorze livros publicados, entre prosa e poesia
• Livro recomendado: Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés (Rocco).
• Quando leu: Quando foi traduzido no Brasil, nos anos 90.
• Por que recomenda: “Tenho convicção de que as transformações acontecem pela via do feminino (em nós e nos homens). De nós, espera-se que iniciemos o grande tsunami: perdão, compreensão, morte do ego, silêncio, tudo que é necessário para que o humano se realize em sua excelência. O livro trata da questão feminina pela via das fábulas, dos mitos, dos contos de fada. Ele anula nossas defesas racionais e nos toma pela força do simbólico até a alma.”
• A história do livro: A autora é psicanalista junguiana. Sob esse viés, ela interpreta contos infantis, com foco especial na figura do lobo, para revelar como a mulher teve suas características instintivas esmagadas pelos condicionamentos culturais predominantemente masculinos.

IVANA ARRUDA LEITE
Tem 52 anos. É socióloga e escritora. Publicou dois livros de contos e participou das antologias Geração 90: Os Transgressores e Contos de Escritoras Brasileiras (Martins Fontes)
• Livro recomendado: Antes do Baile Verde, de Lygia Fagundes Telles (Rocco).
• Quando leu: Na adolescência.
• Por que recomenda: “Eu me sentia uma estranha no mundo nessa época, e o livro foi um cúmplice do meu estranhamento. Aprendi que ser diferente não é impedimento para nada, mas trampolim.”
• A história do livro: O conto mais importante trata de uma jovem que se arruma para ir a um baile de Carnaval, colocando lantejoulas no saiote verde que cobre o biquíni, enquanto seu pai agoniza no quarto ao lado.

LETICIA WIERZCHOWSKI
Tem 33 anos e nove livros publicados. O mais conhecido deles é A Casa das Sete Mulheres (Editora Record)
• Livro recomendado: Rumo ao Farol, de Virginia Woolf (Editora Europa/América).
• Quando leu: A primeira vez ainda jovem e a segunda recentemente, depois que se casou e teve filho.
• Por que recomenda: “É um livro estruturado sobre os conflitos e questionamentos de uma mulher madura. O raciocínio da personagem sobre o que é o casamento e o que é ser mãe é impressionante. Traduz um pensamento muito feminino sobre o mundo.”
• A história do livro: A família Ramsay programa viagem de férias para uma ilha na Escócia. A narradora é uma dona-de-casa casada com um intelectual. A família e seus convidados conversam sobre coisas banais, como um passeio de barco, e sobre fatos traumáticos da I Guerra Mundial.
 
 Fonte:  http://www.portalpedagogico.com.br/main.jsp?lumPageId=480F8D7C230A5B0901231054129734A8&lumII=480F8D7C23EC470A0123F2865BFD2A56
Fonte: Veja Online - http://veja.abril.com.br