domingo, 29 de agosto de 2010

ATIVIDADES SOBRE A OBRA O ALIENISTA - MACHADO DE ASSIS

1) (UFJF - 2005) Em o Alienista, as pessoas eram trancadas na Casa Verde porque:

a- (  ) tinham comportamentos esquisitos.
b- (  ) desrespeitavam a lei e a ordem.
c- (  ) Simão Bacamarte as considerava loucas.
d- (  ) o barbeiro as desprezava.
e- (  ) foram diagnosticadas como  loucas por uma junta médica.

2) Qual o papel da Casa Verde em O Alienista:

a- (  ) promover os estudos dos loucos por Simão Bacamarte.
b- (  ) promover festas para a sociedade nobre itaguaiense.
c- (  ) com fins de preservar a ecologia da região.
d- (  ) monumento histórico de grande valia para a região.
e- (  ) casa onde hospedava o rei quando este vinha passear em Itaguai.

3) Ao longo da narrativa, Simão Bacamarte persegue incessantemente um objetivo. Qual é esse objetivo?

4) O que significa a expressão "Casa de Orates", no texto? A quem ou a que desejava servir Simão Bacamarte, quando constrói a "Casa Verde" em Itaguaí?

5) A princípio a inauguração do sanatório é comemorada pela população. Entretanto, as pessoas logo mudam de conduta e se revoltam contra Simão Bacamarte. Por quê?

6) Apesar da revolta popular, da troca de governantes, Simão Bacamarte conta sempre com apoio para realizar suas experiências. Quem está constantemente ao lado do alienista? Por quê?

7) Que papel desempenha o barbeiro na revolta contra o alienista e como ele se comporta ao chegar ao poder?

Fonte: material retirado da sala virtual (Colégio Nossa Senhora de Nazaré) - Prof. Marco Antônio

O ALIENISTA - MACHADO DE ASSIS

     Objetivo: Fixar o enredo da obra através de atividades individuais e em grupo.

RESUMO DA OBRA - O ALIENISTA DE MACHADO DE ASSIS

Através da obsessão científica do Dr. Simão Bacamarte e de suas conseqüências para a vida de Itaguaí, Machado de Assis faz neste livro a crítica da importação indiscriminada de teorias deterministas e positivistas em nosso país.

I- Narrador

Em O Alienista ,escrito em terceira pessoa, Machado de Assis usa, inicialmente, a autoridade das crônicas antigas, como podemos perceber no início do texto:

'As crônicas da Vila de Itaguaí que em tempos remotos vivera ali um certo médico...'

Em ritmo de 'era uma vez' dá-se o começo da narrativa. Três expressões assumem um papel de relevo neste primeiro contato nosso com o narrador: crônicas, tempos remotos e o vivera. As três reforçam a antigüidade da história, dando-lhe a mesma autoridade que o amarelado empresta aos livros. As crônicas trazem a respeitabilidade do que é aceito pela tradição como verdadeiro. Se elas dizem, não há que contestar. Os tempos remotos servem para distanciar esta narrativa do tempo presente, evitando qualquer deturpação por interesses imediatos. Finalmente, o verbo no pretérito mais-que-perfeito - vivera - reforça os já distanciados tempos remotos. Assim, uma expressão intensifica a outra, cabendo-nos perguntar por que o narrador se interessaria tanto em manter a história restrita a um tempo passado, e bastante passado.

A resposta já foi colocada no início do parágrafo anterior: a distância no tempo aumenta a respeitabilidade da narração, pretendendo dar-lhe uma autoridade quase que incontestável, além de favorecer um distanciamento crítico do narrador-cronista em relação à história.

Entretanto, caso este narrador-cronista queira deturpá-la em proveito próprio, ele não pode fazê-lo, pois notamos no livro a presença de um segundo narrador, que reconta a história, parecendo garantir a isenção da mesma.

O foco narrativo deste segundo narrador está em conformidade com os princípios da literatura realista; isto é, trata-se de um narrador-onisciente, preocupado com a objetividade. Embora este narrador tenha a capacidade de nos trazer os aspectos íntimos dos vários personagens, o que não poderia ser feito pelo narrador-cronistas, ele centraliza a sua atenção em Simão Bacamarte protagonista do conto. Ao mesmo tempo, procura mostrar aqueles que se revelam mais decadentes e denunciadores dos tipos humanos presentes em O Alienista. Por exemplo quando a esposa do boticário Crispim está presa no hospício e ele não vem libertá-la, o narrador a faz desfilar uma série de acusações ao marido. Estas acusações estão em desacordo com o comportamento da personagem ao longo da história - ela sempre pareceu acatar e respeitar o marido - revelando, assim, que na verdade a personagem até então apenas 'mantinha as aparências', era cúmplice do marido.

'- Tratante!...velhaco!...ingrato!...Um patife que tem feito casas à custa de ungüentos falsificados e podres...Ah! tratante!...'

E assim por diante...Através da 'loucura' de vários personagens [pelo menos assim o julgava o Dr. Bacamarte - o alienista], o narrador vai mostrando as misérias humanas, o que demonstra ser intrusa e não imparcial a sua onisciência.

Entretanto, a suposta 'confiabilidade' do narrador-cronista e a suposta 'objetividade' do narrador-onisciente relativizam aos olhos do leitor, esta intrusão, fazendo predominar a impressão de isenção do[s] narrador[es] que é característica da literatura realista.

II- Enredo

O Dr. Simão Bacamarte, médico da Corte, volta à terra natal, Itaguaí, para entregar-se de corpo e alma ao estudo da ciência. Com o tempo, resolve dedicar-se ao estudo da loucura, fundando o seu manicômio, a Casa Verde.

Com persistência e abnegação, o médico vai trabalhando com os desequilibrados mentais que mandava recolher à Casa Verde, sempre buscando entender o que era loucura. Vem-lhe então à mente uma nova teoria que alarga o conceito de loucura, acabando com a antiga e aceita distinção entre normalidade e alienação mental.

Expõe a nova teoria ao padre Lopes, o clérigo de Itaguaí, que a acha perigosa:
'Com a definição atual, que á de todos os tempos', acrescentou, 'a loucura e a razão estão perfeitamente delimitadas. Sabe-se onde uma acaba e onde a outra começa. Para que transpor a cerca?'

No entanto, é destruída a cerca...O sábio começa a encerrar em seu manicômio uma grande quantidade de pessoas, cujo comportamento era até então considerado 'normal' pela sociedade: os que possuíam 'mania' de oratória, como Martim Brito, os vaidosos, como o albardeiro Mateus, os excessivamente corteses, como Gil Bernardes, os emprestadores de dinheiro, como o Costa, e, dentre todos eles, a própria esposa, Dona Evarista, que passara a noite hesitando entre um colar de granada e outro de safira para ir ao baile...É bom que se diga que o padrão da normalidade era constituído pelos critérios do alienista, obviamente em consonância com os ditames da Igreja e dos poderes constituídos.

Tão grande foi o número de internações, várias aparentemente injustas, que ocorre uma rebelião em Itaguaí, liderada pelo barbeiro Porfírio. Este prometera destruir a Casa Verde, mas uma vez no poder entra em acordo com o Dr. Bacamarte. Isso basta para que haja uma nova revolta, liderada por outro barbeiro, o João Pina. Um destacamento militar, vindo da capital, põe fim às desordens em Itaguaí e o médico pôde prosseguir seu trabalho.

Com o tempo, as conclusões do alienista sobre a loucura alteram-se drasticamente.

Louco não é mais o desequilibrado, mas sim aquele que exibe um perfeito equilíbrio das funções mentais. Por causa disso, Simão Bacamarte liberta os antigos loucos e passa a prender os novos, como o padre Lopes, a esposa do boticário Crispim e o barbeiro Porfírio: primeiramente preso pela inconsistência de sua rebelião; depois, por ter percebido essa mesma inconsistência, e se recusado a liderar outra rebelião...
Com alguns meses de tratamento, todos foram soltos após revelarem algum desequilíbrio, provando que estavam curados, mas o nosso alienista não fica contente: ainda não chegara a uma conclusão em suas pesquisas. Começa a desconfiar que ela não havia curado ninguém, que os pacientes só haviam revelado um desequilíbrio que já possuíam anteriormente. Com isso, desloca seu estudo para si mesmo. Certifica-se de que é a única pessoa realmente equilibrada de toda a vila e se tranca na Casa Verde, declarando-se ao mesmo tempo médico e paciente. Morre depois de alguns meses.

O enredo deste conto, além de discutir ironicamente as fronteiras entre a razão e a loucura, também coloca a questão do poder. Todos os que o exercem em Itaguaí, incluindo-se dentre eles o revoltoso barbeiro Porfírio, fizeram uma composição com Simão Bacamarte, o que sugere que tanto a razão quanto a loucura são usadas pelo poder, dependendo de seu interesse. Por isso nada foi feito de efetivo contra a Casa Verde, tendo disso os prisioneiros liberados pelo próprio alienista. Assim, podemos concluir esta primeira leitura possível com um pessimismo machadiano: 'O mal não parece estar no 'racional' ou no 'normal' mas no humano...'





LEIA A OBRA COMPLETA EM:



OBRA ADAPTADA PARA A TV: O ALIENISTA - MACHADO DE ASSIS

      Objetivo: Trabalhar o enredo da obra através das mídias.




Título: O Alienista
Título Original: O Alienista
Roteiro: Guel Arraes, Jorge Furtado e Pedro Cardoso. Adaptação para TV.
Direção: Guel Arraes e Jorge Furtado
Atores: Marco Nanini, Giulia Gam, Milton Gonçalves, Cláudio Correa e Castro, Antônio Calloni, Marisa Orth, Sérgio Manberti, Luís Fernando Guimarães
(http://www.cenaporcena.com.br/filmes/lista_obra.asp?cod_autor=189)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

TRABALHO SORE AFRICANIDADE - CASTRO ALVES

      Objetivo: Explorar os talentos dos alunos através de uma atividade em grupo.

sábado, 21 de agosto de 2010

FEIRA INTEGRADA "DESCOBRINDO TALENTOS"

     Objetivo: Trabalhar os conteúdos da grade curricular de maneira interdisciplinar.

      Vocês participarão apresentando talentos individuais e através de trabalhos e grupos realizados em sala a fim de divulgar as obras primas da LITERATURA BRASILEIRA. 

AGUARDEM INFORMAÇÕES!


      Neste bimestre a forma de avaliação de vocês em Língua Portuguesa sofrerá algumas modificações. As anotações com relação as atividades das aulas continuam. Somando a sua nota a participação no trabalho em grupo da Feira Integrada e a novidade deste bimestre é que com a intenção de preparar vocês para as avaliações externas (SAEB, ENEM etc.) será incluido na avaliação bimestral uma prova objetiva contendo dez questões. Preparem-se! Vocês são 10!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS EM HISTÓRIA EM QUADRINHOS

      Objetivo: trabalhar o enredo da obra de ua maneira lúdica.

1) Logo no primeiro quadrinho da página 5, notamos que o ilustrador desenhou o mesmo personagem duas vezes (um sobreposto ao outro). Por quê?

2) Nos primeiros quadrinhos da página 6 apareceram vários riscos diagonais.
a- O que eles representam?

b- Emocionado, um dos amigos de Brás Cubas se refere a esses "riscos" traçados pelo ilustrador. Que comentário esse amigo faz?

3) No primeiro quadrinho da história, o personagem-narrador diz: "(...) não sou propiamene um autor defunto, mas um defunto autor". O que ele quis dizer com isso?

4) Toda história em quadrinhos nos fornece dois tipos de informação: a que nos é transmitida pelo texto e a que nos chega pelas imagens.

a- Segundo o texto, em que época se passa a história de Brás Cubas?

b- De acordo com as imagens, como você concluiria que a história transcorre no século mencionado pelo narrador?

5) Em que lugar do Brasil viveu Brás Cubas? Como era a vida nesse local?

6) Um dos episódios mais relevantes sobre a personalidade de Brás Cubas é aquele em que um almocreve lhe salva a vida.

a- Como Brás Cubas resolve recompensar o almocreve?

b- Com que sensação Brás Cubas acaba saindo desse episódio?

7) Desiludido com a política, o que Brás Cubas decide fundar? Por quê?

8) À beira da morte, Brás Cubas faz um levantamento das coisas boas e ruins que lhe aconteceram. E conclui que, no fim das contas, ele se achou "com um pequeno saldo". Que saldo foi esse?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

PROJETO LEITURA PARA TODOS



A PARTIR DO DIA 17/08/2010 TEREMOS EM NOSSA ESCOLA UMA SALA DE LEITURA. 
JOSÉ LINS DO REGO
APROVEITEM E DIVIRTAM-SE NO MUNDO MÁGICO DA LITERATURA.





NO LINK ABAIXO VOCÊS ENCONTRARAM O ROTEIRO DA INAUGURAÇÃO:



http://www.4shared.com/file/s9PqMmye/Apresentao1.html


ACESSE O LINK ABAIXO E VEJA O VÍDEO COM A HISTÓRIA DE SHAGUI LI CONTADA PELA PROFESSORA ALBA VALÉRIA:



http://programamaiseducacao.ning.com/video/historia-de-shangui-li

sábado, 14 de agosto de 2010

DIA DO ESTUDANTE

Origem
No dia 11 de agosto de 1827, D. Pedro I instituiu no Brasil os dois primeiros cursos de ciências jurídicas e sociais do país: um em São Paulo e o outro em Olinda, este último mais tarde transferido para Recife. Até então, todos os interessados em entender melhor o universo das leis tinham de ir a Coimbra, em Portugal, que abrigava a faculdade mais próxima.
Na capital paulista, o curso acabou sendo acolhido pelo Convento São Francisco, um edifício de taipa construído por volta do século XVII. As primeiras turmas formadas continham apenas 40 alunos. De lá para cá, nove Presidentes da República e outros inúmeros escritores, poetas e artistas já passaram pela escola do Largo São Francisco, incorporada à USP em 1934.
Cem anos após sua criação dos cursos de direito, Celso Gand Ley propôs que a data fosse escolhida para homenagear todos os estudantes. Foi assim que nasceu o Dia do Estudante, em 1927.


Oração do estudante
Senhor, eu sou estudante, e por sinal, inteligente.
Prova isto o fato de eu estar aqui, conversando com você.
Obrigado pelo dom da inteligência e pela possibilidade de estudar.
Mas, como você sabe, Cristo, a vida de estudante nem sempre é fácil.
A rotina cansa e o aprender exige uma série de renúncias: o meu cinema, o meu jogo preferido, os meus passeios, e também alguns programas de TV .
Eu sei que preparo hoje o meu amanhã.
Por isso lhe peço, Senhor, ajuda-me a ser bom estudante.
Dê-me coragem e entusiasmo para recomeçar a cada dia.
Abençoe a mim, a minha turma e os meus professores. Amém.

http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diaestudante.html

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AULA SOBRE A COMPARAÇÃO ENTRE SENHORA E MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS:

 www.passeiweb.com/.../memorias_de_um_sargento_de_milicias/
pt.wikipedia.org/.../Memórias_de_um_Sargento_de_Milícias  
pt.wikipedia.org/wiki/Senhora_(livro)
www.passeiweb.com/na_ponta.../s/senhora

AULA SOBRE O LIVRO MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS:
  
guiadoestudante.abril.com.br/.../materia_416016.shtml
www.algosobre.com.br/.../memorias-postumas-de-bras-cubas.html 

 

REALISMO - MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS


   

OBJETIVO: Apresentar o contexto histórico do Realismo no Brasil a partir da obra "Memórias Póstumas de Brás Cubas" - Machado de Assis
ACESSE A OBRA COMPLETA NO LINK:

http://www.baixaki.com.br/download/memorias-postumas-de-bras-cubas.htm

Memórias Póstumas de Brás Cubas
Resumo e análise da obra de Machado de Assis
Ao criar um narrador que resolve contar sua vida depois de morto, Machado de Assis muda radicalmente o panorama da literatura brasileira, além de expor de forma irônica os privilégios da elite da época
Publicado em 1881, o livro aborda as experiências de um filho abastado da elite brasileira do século XIX, Brás Cubas. Começa pela sua morte, descreve a cena do enterro, dos delírios antes de morrer, até retornar a sua infância, quando a narrativa segue de forma mais ou menos linear – interrompida apenas por comentários digressivos do narrador.

NARRADOR
A narração é feita em primeira pessoa e postumamente, ou seja, o narrador se autointitula um defunto-autor – um morto que resolveu escrever suas memórias. Assim, temos toda uma vida contada por alguém que não pertence mais ao mundo terrestre. Com esse procedimento, o narrador consegue ficar além de nosso julgamento terreno e, desse modo, pode contar as memórias da forma como melhor lhe convém.

FOCO NARRATIVO
Com a narração em primeira pessoa, a história é contada partindo de um relato do narrador-observador e protagonista, que conduz o leitor tendo em vista sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. Dessa maneira, as memórias de Brás Cubas nos permitirão ter acesso aos bastidores da sociedade carioca do século XIX.

TEMPO
A obra é apoiada em dois tempos. Um é o tempo psicológico, do autor além-túmulo, que, desse modo, pode contar sua vida de maneira arbitrária, com digressões e manipulando os fatos à revelia, sem seguir uma ordem temporal linear. A morte, por exemplo, é contada antes do nascimento e dos fatos da vida.
No tempo cronológico, os acontecimentos obedecem a uma ordem lógica: infância, adolescência, ida para Coimbra, volta ao Brasil e morte. A estranheza da obra começa pelo título, que sugere as memórias narradas por um defunto. O próprio narrador, no início do livro, ressalta sua condição: trata-se de um defunto-autor, e não de um autor defunto. Isso consiste em afirmar seus méritos não como os de um grande escritor que morreu, mas de um morto que é capaz de escrever.
O pacto de verossimilhança sofre um choque aqui, pois os leitores da época, acostumados com a linearidade das obras (início, meio e fim), veem-se obrigados a situar-se nessa incomum situação.


ENREDO
A infância de Brás Cubas, como a de todo membro da sociedade patriarcal brasileira da época, é marcada por privilégios e caprichos patrocinados pelos pais. O garoto tinha como “brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio, que lhe servia de montaria e para maus-tratos em geral. Na escola, Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borbas, que aparecerá no futuro defendendo o humanitismo, misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e aptos devem sobreviver.
Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo, chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em nenhum momento, a caracterização nesses termos. Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e interesse financeiro estão intimamente ligados.
Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes recursos da família com festas, presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai, para dar um basta à situação, toma a resolução mais comum para as classes ricas da época: manda o filho para a Europa estudar leis e garantir o título de bacharel em Coimbra.
Brás Cubas, no entanto, segue contrariado para a universidade. Marcela não vai, como combinara, despedir-se dele, e a viagem começa triste e lúgubre.
Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho, Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país.
Em certo momento da narrativa, Brás Cubas tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se de Virgília, parente de um ministro da corte, aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela um futuro político. No entanto, ela acaba se casando com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não apenas a noiva como também a candidatura a deputado que o pai preparava.
A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha tradição, pois construíra a fortuna com a fabricação de cubas, tachos, à maneira burguesa. Isso não era louvável no mundo das aparências sociais. Assim, a entrada na política era vista como maneira de ascensão social, uma espécie de título de nobreza que ainda faltava a eles.

NÃO-REALIZAÇÕES
O romance não apresenta grandes feitos, não há um acontecimento significativo que se realize por completo. A obra termina, nas palavras do narrador, com um capítulo só de negativas. Brás Cubas não se casa; não consegue concluir o emplasto, medicamento que imaginara criar para conquistar a glória na sociedade; acaba se tornando deputado, mas seu desempenho é medíocre; e não tem filhos.
A força da obra está justamente nessas não-realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre à espera do desenlace que a narrativa parece prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista. É preciso ficar atento para a maneira como os fatos são narrados. Tudo está mediado pela posição de classe do narrador, por sua ideologia. Assim, esse romance poderia ser conceituado como a história dos caprichos da elite brasileira do século XIX e seus desdobramentos, contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um representante.
O que está em jogo é se esses caprichos vão ou não ser realizados. Alguns exemplos: a hesitação ao começar a obra pelo fim ou pelo começo; comparar suas memórias às sagradas escrituras; desqualificar o leitor: dar-lhe um piparote, chamá-lo de ébrio; e o próprio fato de escrever após a morte. Se Brás Cubas teve uma vida repleta de caprichos, em virtude de sua posição de classe, é natural que, ao escrever suas memórias, o livro se componha desse mesmo jeito.
O mais importante não é a realização ou não dessas veleidades, mas o direito de tê-las, que está reservado apenas a uns poucos da sociedade da época. Veja-se o exemplo de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Ambos são personagens secundários e trabalham para os grandes. A primeira nasceu para uma vida de sofrimentos: “Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado pro outro, na faina, adoecendo e sarando…”, descreve Brás. Além da vida de trabalhos e doenças e sem nenhum sabor, Dona Plácida serve ainda de álibi para que Brás e Virgília possam concretizar o amor adúltero numa casa alugada para isso.
Com Prudêncio, vê-se como a estrutura social se incorpora ao indivíduo. Ele fora escravo de Brás na infância e sofrera os espancamentos do senhor. Um dia, Brás Cubas o encontra, depois de alforriado, e o vê batendo num negro fugitivo. Depois de breve espanto, Brás pede para que pare com aquilo, no que é prontamente atendido por Prudêncio. O ex-escravo tinha passado a ser dono de escravo e, nessa condição, tratava outro ser humano como um animal. Sua única referência de como lidar com a situação era essa, afinal era o modo como ele próprio havia sido tratado anteriormente. Prudêncio não hesita, porém, em atender ao pedido do ex-dono, com o qual não tinha mais nenhum tipo de dívida nem obrigação a cumprir.

CONCLUSÃO
Machado alia nesse romance profundidade e sutileza, expondo muitos problemas de nossa sociedade que existem até hoje. Daí o prazer da leitura e a importância de seu texto, pois atualiza, de forma irônica, os processos em que nosso país foi formado, suas contradições e os desmandos que ainda estão presentes.
Os personagens da obra são basicamente representantes da elite brasileira do século XIX. Há, no entanto, figuras de menor expressão social, pertencentes à escravidão ou à classe média, que têm significado relevante nas relações sociais entre as classes. Assim, Memórias Póstumas de Brás Cubas, além de seu enorme valor literário, funciona como instrumento de entendimento desse aspecto social de nossas classes, como se verá adiante nas caracterizações de Dona Plácida e do negro Prudêncio.
A sociedade da época se estruturava a partir de uma divisão nítida. Havia, de um lado, os donos de escravos, urbanos e rurais, que constituíam a classe mandante do país. Estão representados invariavelmente como políticos: ministros, senadores e deputados. De outro, a escravidão é a responsável direta pelo trabalho e pelo sustento da nação e, por assim dizer, das elites. No meio, há uma classe média formada por pequenos comerciantes, funcionários públicos e outros servidores, que são dependentes e agregados dos favores dos grandes privilegiados. 

http://vestibular.uol.com.br/testes/quiz_literatura_memorias2004ve_2.jhtm

*Teste feito pelo Stockler Vestibulares
Parte superior do formulário

1. (Fuvest/GV) O Romance Memórias Póstumas de Brás Cubas publicou-se num momento significativo da Literatura Brasileira, tanto para a carreira de Machado de Assis, como para o desenvolvimento da prosa no Brasil. Tornou-se um divisor de águas entre:
a prosa romântica e a realista-naturalista.
o romantismo e o cientificismo literário.
os remanescentes clássicos e a necessidade de modernização.
o espírito conservador e o espírito revolucionário.
a prosa finissecular e a imposição renovadora da época.


(Fuvest) - Texto para a questão 2:
"Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo."
(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas).
2. Considerando-se este fragmento no contexto da obra a que pertence, é correto afirmar que, nele,

O discurso argumentativo, de tipo racional e lógico, apresenta afirmações que ultrapassam a razão e o senso comum.
A combinação de hesitações e autocrítica já caracteriza o tom de arrependimento com que o defunto autor relatará sua vida improdutiva.
As hesitações e dúvidas revelam a presença de um narrador inseguro, que teme assumir a condução da narrativa e a autoridade sobre os fatos narrados.
As preocupações com questões de método e as reflexões de ordem moral mostram um narrador alheio às meras questões literárias, tais como estilo e originalidade.
As considerações sobre o método e sobre a lógica da narração configuram o modo característico de se iniciar o romance no Realismo.

(Fuvest 2000) Texto para a questão 3:
"(...) e tudo ficou sob a guarda de Dona Plácida, suposta, e, a certos respeitos, verdadeira dona da casa. Custou-lhe muito a aceitar a casa; farejara a intenção, e doía-lhe o ofício; mas afinal cedeu. Creio que chorava, a princípio: tinha nojo de si mesma. Ao menos, é certo que não levantou os olhos para mim durante os primeiros dois meses; falava-me com eles baixos, séria, carrancuda, às vezes triste. Eu queria angariá-la, e não me dava por ofendido, tratava-a com carinho e respeito; forcejava por obter-lhe a benevolência, depois a confiança. Quando obtive a confiança, imaginei uma história patética dos meus amores com Virgília, um caso anterior ao casamento, a resistência do pai, a dureza do marido, e não sei que outros toques de novela. Dona Plácida não rejeitou uma só página da novela; aceitou-as todas. Era uma necessidade da consciência. Ao cabo de seis meses quem nos visse a todos três juntos diria que Dona Plácida era minha sogra. Não fui ingrato; . fiz-lhe um pecúlio de cinco contos, - os cinco contos achados em Botafogo, - como um pão para a velhice. Dona Plácida agradeceu-me com lágrimas nos olhos, e nunca mais deixou de rezar por mim, todas as noites, diante de uma imagem da Virgem, que tinha no quarto. Foi assim que lhe acabou o nojo."
(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)

3. Considerado no contexto da obra a que pertence, este excerto revela que:

a dominação dos proprietários era abrandada por sua moralidade cristã, que os inclinava à caridade e à benevolência desinteressada.
a dependência da proteção dos ricos podia forçar os pobres a transigir com seus próprios princípios morais.
os brancos, mesmo quando pobres, na sociedade escravista do Império, demonstravam aversão ao trabalho, por considerá-lo próprio de escravos.
os senhores mais re. nados, mesmo numa sociedade escravista, davam preferência a criados brancos, mas, dada a escassez destes, eram obrigados a grandes concessões para conservá-los.
os agregados, de que Dona Plácida é exemplo típico, consideravam- se membros da família proprietária e, por isso, tornavam- se indolentes, resistindo a aceitar os empregos que lhes eram oferecidos.

(Fuvest) Texto para a questão 4:
"Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boafortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e, conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."
(Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas)

4. O texto evidencia, com clareza, pelo menos uma das características principais de Machado de Assis:

o pessimismo ingênuo dos escritores realistas e naturalistas do século XIX.
a linguagem rebuscada, de tal modo ambígua, que quase prejudica a compreensão do sentido.
um pessimismo irônico, disfarçado sob a aparência de conformidade indiferente.
o gosto pela frase lapidar, carregada de expressões inusitadas.
a capacidade de sintetizar, em apenas um parágrafo, todo o enredo do romance.
Parte inferior do formulário

5) No capítulo I de Memórias póstumas de Brás Cubas, o narrador compara seu romance ao Pentateuco, de Moisés. Qual o sentido dessa comparação?

6) Brás Cubas se intitula defunto autor e não autor defunto. Explique essa inversão e discuta como se relaciona com a estética realista.

7) Que relação podemos perceber entre Brás Cubas e Quincas Borba, personagens do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis?





























quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OjE)

 QUERIDOS ALUNOS VAMOS PARTICIPAR!

OS JOGOS SÃO ELABORADOS A PARTIR DO CONTEÚDO APLICADO NO ENEM.

MONTEM AS SUAS EQUIPES (4 A 6 COMPONENTES) E ESCOLHAM UM PROFESSOR ALIADO.



http://jogos.conexaoaluno.rj.gov.br/oje



AGUARDO VOCÊS!!!

TRABALHO ENTRE O ROMANCE E HQ - MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS

História em Quadrinhos




Confira algumas características da HQ:

• Na HQ, o tempo e o lugar costumam ser indicados pela própria imagem.

• Algumas histórias apresentam quadrinhos com legenda. Trata-se de um pequeno texto que descreve algum fato ou informa alguma coisa, geralmente relacionada com o início da história.

• Existem diferentes tipos de balões (o balão é um elemento característico dos quadrinhos) que partem geralmente da boca das personagens, nos quais aparece a fala ou o pensamento delas.

• A letra usada no balão, geralmente, é de forma, maiúscula e parece ter sido desenhada à mão.

• Por vezes, as palavras são escritas em negrito, com um traço mais forte do que o normal, pois indica a maneira como são pronunciadas, com tom de voz mais alto ou ênfase.

• Há palavras que procuram imitar, na escrita, certos sons e ruídos. Essas palavras são chamadas de onomatopéias. O sinal de pontuação que costuma acompanhar as onomatopéias é o ponto de exclamação.

• As personagens das histórias em quadrinhos costumam usar uma linguagem informal, isto é, bem parecida com o jeito como falamos no dia-a-dia.

• É comum a passagem de uma linguagem para outra – dos quadrinhos para filmes e desenhos animados e vice-versa.

Entretanto, uma das principais características da HQ é o fato de ela se deixar interpretar de modo mais rápido do que a narrativa verbal

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Texto narrativo – Romance



Para fazer uma narração, além do narrador existem outros elementos que são fundamentais para tal produção. São eles: foco narrativo, enredo, personagens, espaço e tempo.

O foco narrativo é a posição tomada pelo narrador ao contar a história. Pode ser narrador-observador que relata fatos na medida em que esses aparecem, esse tem conhecimento sobre todo o desenrolar da história; narrador personagem que conhece a história por estar envolvido nela e narrador neutro que conta a história enquanto pode e ao mesmo tempo comenta sobre os fatos que ocorrem.

O enredo é o desenrolar dos fatos. Relata sobre os fatos acontecidos ou que irão ser executados pelos personagens. Pode ser organizado de várias maneiras, porém os mais utilizados são: situação inicial, quebra da situação inicial, estabelecimento de um conflito, clímax e epílogo.

Os personagens podem abranger características reais ou imaginárias. O personagem principal recebe o nome de protagonista, sendo que os demais podem ser antagonistas, oponentes ou coadjuvantes.

O espaço da narrativa é o local onde o enredo acontece. É de grande importância na narrativa, pois pode assumir o papel de personagem dependendo da história contada ou, ainda, identificar um personagem específico da história.

O tempo também é de grande importância, pois determina o período da história. O tempo pode ser cronológico ou psicológico. Cronológico quando mede o tempo e psicológico quando não é mensurável racionalmente.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

TRABALHO DO LIVRO MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS



UMA HISTÓRIA EM QUADRINHOS

1) OBSERVE O SEXTO E O SÉTIMO QUADRINHOS DA PÁGINA 7.
a- Qual é a principal diferença desses quadrinhos com os outros da mesma página?
b- Como o personagem do padrinho está representando no sexto quadrinho? E no sétimo?

2) Observe a página 14. Todos os quadrinhos estão coloridos em diferentes tons de azul. Explique com suas palavras a razão por que isso acontece.

3) Observe o quarto quadrinho da página 26. Qual é a intenção do ilustrador ao apresentar a comadre com duas expressões diferentes na mesma cena?

4) Observe os quarto, quinto e sexto quadrinhos da página 28 e aponte as diferenças entre a posição das personagens de dona Maria e da comadre.

5) Ao conhecer Luisinha, Leonardo tem de segurar o riso. No entanto, na segunda vez que a vê, não tem mais vontade de rir. Por que isso acontece?

6) Leonardo é considerado um anti-herói, isto é, mesmo sendo pesonagem principal do romance, nem sempre é bom exemplo de caráter e ética. Cite exemplos de sua infância que comprovem esse fato.

7) A narração do romance é feita em terceira pessoa. Observe a página 16  e retire uma fala do narrador que justifique a afirmação. 

   

Exercício retirado da folha suplementar do livro. Editora Escala educacional.

sábado, 7 de agosto de 2010

SENHORA X MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS

Observe a tabela abaixo:



SENHORA
MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILICIAS
AUTOR
JOSÉ DE ALENCAR
MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA
ESTRUTURA DA OBRA
Senhora é um romance dividido em quatro partes e não obedece uma ordem cronológica, isto é, a primeira parte (O Preço), narra os episódios atuais, enquanto que a segunda parte (Quitação), fala-nos do passado de Aurélia, seguem os capítulos: Posse e Resgate. A narrativa é feita por um narrador que parece penetrar na alma de Aurélia Camargo para transmitir suas confidências mais intimas.

Esses títulos contrariam ostensivamente o espírito de uma história de amor, como efetivamente é o romance Senhora. Mas, como se trata de um amor contrariado pelos hábitos sociais, fica clara a idéia de que os títulos foram assim escolhidos para hipertrofiar a metáfora contida no livro. Eles explicitam, em tom caricatural e hiperbólico, a idéia de que a compra efetuada por Aurélia é uma metáfora do casamento por interesse, muito corrente na época, mas sempre disfarçado por elegantes e frágeis encenações sociais.
A novela está dividida em duas partes bem distintas: a primeira com 23 capítulos e a segunda com 25.

Os episódios são quase autônomos, só ligados pela presença de Leonardo, dando à obra uma estrutura mais de novela que de romance, como já ficou observado.

O leitor acompanha o crescimento do herói com sua infância rica em travessuras, a adolescência com as primeiras ilusões amorosas e aventuras, e o adulto, que, com o senso de responsabilidade, que essa idade exige, vai-se enquadrando na sociedade, o que culmina com o casamento.
FOCO NARRATIVO
O enredo deste romance mostra claramente a mistura de elementos romanescos e da realidade. Foco narrativo - O romance é narrado em terceira pessoa por um narrador onisciente, ou seja, que tudo sabe sobre as personagens, penetrando em seus pensamentos e em sua alma. Esse narrador é também intruso, já que interfere em vários momentos, apresentando-se ao leitor. A técnica narrativa empregada por Alencar em Senhora é sem dúvida bem moderna, se tomarmos como base suas obras anteriores, já que o autor utiliza digressões.
Memórias de um Sargento de Milícias é romance narrado em terceira pessoa, sendo um narrador-observador quem conta a história. O cinismo bem-humorado, as sistemáticas interferências nas situações sempre divertidas que relata, as ironias e as brincadeiras envolvendo costumes e personagens da época constituem alguns traços marcantes deste narrador, cujo juízo crítico a respeito do que vai documentando algumas vezes revela-se de forma claramente debochada.
TEMPO
O tempo é cronológico, tomando como base o século XIX, durante o Segundo Império. Entretanto, não há linearidade, já que a história é contada a partir de flash-back.
Época de D. João VI, inicio do século XIX.
ESPAÇO
RIO DE JANEIRO
RIO DE JANEIRO
CLASSE SOCIAL
A tessitura desta obra revela o senso crítico de Alencar, desnudando mazelas sociais da época, e da corte. Além destes aspectos, o autor procede à análise psicológica das personagens, antecipando características do Realismo. (Burguesia)
Incorpora a linguagem das ruas, classes média e baixa, fugindo aos padrões românticos da época, onde os romances retratavam os ambientes aristocráticos.
PERSONAGENS
As personagens são bem construídas e já apresentam certa profundidade psicológica. Ao contrário de várias personagens românticas, não constituem meros tipos sociais, já que são capazes de atitudes inesperadas.

1. Fernando Seixas: Jovem estudante de Direito, bem vestido e apreciador da vida em sociedade. A falta de dinheiro o conduz a acreditar que a única maneira de evitar a ruína final é casando-se com um bom dote. Envolvido pelo amor de Aurélia, chega a pensar em abandonar os hábitos caros, mas acaba percebendo que não consegue viver longe da sociedade. Depois do casamento por interesse, é humilhado, arrepende-se e consegue resgatar o dinheiro que recebeu a Aurélia.

2. Aurélia Camargo: Moça pobre. Aurélia é decente e apaixonada por Fernando Seixas. A decepção amorosa transforma-a num mulher vingativa e fria, mas que não consegue disfarçar seu verdadeiro sentimento por Seixas. Seu comportamento é típico de uma esquizofrênica, já que se vê dividida entre sentimentos contraditórios até o final do romance. O amor parece ser sua salvação, redimindo-a de perder o homem que ama por causa de seu orgulho.

3. Dona Emília: Viúva, mãe de Aurélia. Mulher honesta e séria, que amargou imenso sofrimento por causa de seu amor por Pedro Camargo.

4. Pedro Camargo: Pai de Aurélia, filho natural de um rico fazendeiro do interior de São Paulo, de quem nutria grande medo. Morre à mingua por não conseguir confessar seu casamento contra a vontade do pai.

5.  Lourenço Camargo: Avô de Aurélia. Pai de Pedro. Homem duro e rústico, mas que procura ser justo depois que descobre a existência do casamento do filho.

6.   D. Firmina: Parente distante de Aurélia e que lhe serve de companhia quando fica rica.

7.  Lemos: Tio de Aurélia. “Velho de pequena estatura, não muito gordo, mas rolho e bojudo como um vaso chinês. Apesar de seu corpo rechonchudo tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe dava petulância de rapaz, e casava perfeitamente com seus olhinhos de azougue.” Foi escolhido por Aurélia como tutor porque a moça podia dominá-lo facilmente.
Leonardo: anti-herói, herói às avessas, herói picaresco - desde a infância é esperto, vagabundo e mulherengo,  assemelha-se ao protagonista, Macunaíma.

Leonardo-Pataca: oficial de justiça, sentimental, sempre enroscado em suas paixões.

Maria-da-Hortaliça: mãe do herói

Major Vidigal: temido e respeitado por todos.Severo punidor, é, ao mesmo tempo, policial e juiz.

Comadre: protetora de Leonardo, vive tentando livrá-lo dos enroscos em que se metia.

Compadre Barbeiro: outro protetor. Cria o menino como se fosse o seu filho, sonhando um próspero futuro para ele; só que isso não acontece.

D. Maria: velha, rica e bondosa. Era apaixonada por causas judiciais. Tia e tutora de Luisinha, amiga da comadre e do compadre.

Luisinha: primeiro amor de Leonardo. Suas características fogem da idealização dos modelos românticos: era feia, pálida e desajeitada.

José Manuel: caça-dotes, representa uma crítica à burguesia.

Vidinha: cantora de modinas, segunda paixão de Leonardo.

Chiquinha: filha de D. Maria e esposa de Leonardo-Pataca.

Maria-Regalada: amante de Vidigal.

Além desses, há outros como: A vizinha, a cigana, o mestre-de-rezas, Tomás, etc.

Os personagens encaixam-se na categoria de tipos alegóricos, pois não possuem profundidade psicológica e são como caricatura de uma classe social: o povo, a classe média carioca da época.
Não há idealização das personagens, mas observação direta e objetiva. Presença de camadas inferiores da população (barbeiros, comadres, parteiras, meirinhos, "saloias", designados pela ocupação que exercem). Os personagens não são heróis nem vilões, praticam o bem e o mal, impulsionados pelas necessidades de sobrevivência (a fome, a ascensão social).
ESTILO DE ÉPOCA
Alencar não destoa do Romantismo em voga. A sua visão de mundo é baseada na emoção, e o mundo urbano, com seus problemas políticos e econômicos, o aborrece, por isso foge para o passado; escapa para os lugares selvagens. Suas obras procuram retratar um Brasil e personagens mais ideais do que reais, mais como ele gostaria que moralmente fossem (românticos e moralistas) do que objetivamente eram (realistas). Senhora é um romance de características definidas de forma romântica, mas que já traduz uma temática realista: a crítica ao casamento burguês.
O sentido profundo das "Memórias" está ligado ao fato de elas não se enquadrarem em nenhuma das racionalizações  ideológicas reinantes na literatura brasileira de então: indianismo, nacionalismo, grandeza, sofrimento, redenção pela dor, pompa do estilo etc. Na sua estrutura mais íntima e na sua visão latente das coisas, elas exprimem a vasta acomodação geral que dissolve os extremos, tira o significado da lei e da ordem, manifesta a penetração recíproca dos grupos e das idéias, das atitudes mais díspares, criando uma espécie de terra-de-ninguém moral, onde a transgressão é apenas um matiz na gama que vem da norma e vai ao crime.

Novela de tom humorístico que faz crônica de costumes do Rio Colonial, na época de D. João VI. O romance reporta-se a uma fase em que se esboçava no país uma estrutura não mais puramente colonial, mas ainda longe do quadro industrial-burguês.